quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Divagações sobre o P.A.

Uma das maiores lições que aprendi nessas minhas 25 primaveras – e que começou com um conselho a nossa amiga historiadora logo que nos conhecemos – é que existe um tipo de homem que deveria ser considerado artigo de primeira necessidade na cesta básica da mulher-solteira-moderna-e-independente. Ele é conhecido por vários nomes, mas, para mim, o que melhor define suas utilidades é o P.A. ou Pinto Amigo. Pode parecer maldoso da minha parte nomear alguém dessa maneira, e na verdade é. O que nos leva ao primeiro pré-requisito do P.A.: ele não pode ser lá muito bonzinho.

O homem sobre o qual estou divagando aqui é aquele que vem em nosso socorro nas horas tristes e vazias de solidão, e põe em dia os nossos hormônios. Ele vai pro bar com a gente e nos empresta o ombro para chorarmos por outro. Depois deixa a gente curar a nossa carência com ele, e não se sente usado quando ligamos para dizer que não vamos tornar a vê-lo (pelo menos não com as mesmas intenções de antes) porque achamos um novo candidato a homem das nossas vidas, e temos o lamentável hábito de sermos fiéis.


Outra característica fundamental de um P.A. é a discrição. Homem inseguro de si, que precisa contar pro mundo o que faz – e o que não faz – com as mulheres, é melhor descartar. O bom P.A. precisa fazer o gênero mineirinho. Alguns outros cuidados também são essenciais na escolha desse item tão útil. Homens românticos, ex-namorados, apaixonados e afins devem ser evitados. P.A. que é P.A. não te ama e não vai te amar. Ele sabe que está ali apenas suprindo uma lacuna temporária e aproveita para se divertir também.

Se o P.A. começar a ligar no dia seguinte, ligue as antenas. Ao primeiro sinal de paixão decida se quer investir e transformá-lo em algo mais. Se a resposta for não, dispense-o. E também não invente de se apaixonar por ele. Não se apegue, não fantasie, não use-o como o novo amor que fará você esquecer o antigo. A brincadeira só é divertida enquanto os dois estão jogando com as mesmas regras. E a regra número um é não se envolver emocionalmente. O P.A. é um P.A. porque nem você e nem ele querem compromisso. Se não fosse assim ele seria um peguete, um pretê, uma paixão mal-resolvida ou qualquer outra coisa que tenha chance – embora remota – de resultar em almoço de família no domingo, com direito a sogra e tudo mais.


O grande lance dessa aquisição é não esquecer de deixar tudo às claras. Lembre-se que pessoas têm sentimentos. Não é justo magoar o outro e, principalmente, não é justo magoar a si mesma. Porque o seu P.A. certamente não será muito bonzinho, mas isso não significa que não será um cara bacana. Na verdade, sempre é um cara muito bacana. Que te respeita e merece ser respeitado. Que entende que a gente pode se divertir sem culpa e sem compromisso. Aliás, aí está uma coisa fundamental: se ele não é gente boa e não te respeita ele não serve nem pra isso nem pra qualquer outra coisa.


A gente às vezes recorre a um P.A. porque não é fácil lidar com a carência e nem todo mundo se sente à vontade para resolver seus problemas nos braços de um estranho. De vez em quando é bom ter alguém que te ouve, te dá carinho, te dá aquele “trato”, – cama, mesa, banho e o que mais vier – tudo isso sem o peso da expectativa do dia seguinte. É bom especialmente quando a gente tem um coração partido e algumas dores que parecem nunca esmorecer.

4 comentários:

Helio Marques disse...

Eu sirvo (dentro das suas palavras de coracao partido,) p/ ser um P A.

Helio Marques disse...

Eu sirvo (dentro das suas palavras de coracao partido,) p/ ser um P A.

Helio Marques disse...

Eu sirvo (dentro das suas palavras de coracao partido,) p/ ser um P A.

Helio Marques disse...

Eu sirvo (dentro das suas palavras de coracao partido,) p/ ser um P A.

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